Começar o ano com uma bela viagem é sonho realizado
para aqueles que (como eu) amam esse modo de vida, tudo bem que não suporto
arrumar a mala, mas depois de pronta e trancada começa a bater um friozinho na barriga
inconfundível e não vejo a hora de pular dentro do
avião/trem/ônibus/barco/carro...
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| Mesmo viajando dentro do Mercosul, mais um carimbo para o passaporte é sempre bem-vindo. |
E que tal começar com uma viagem para o extremo sul do
mundo? Patagônia Argentina, para quem não conhecia nadinha do país dos nossos
“hermanos” acredito que comecei em grande estilo, pois obviamente não irei
parar, a Argentina tem muitos lugares incríveis para desbravarmos.
Mas não fui sozinha nessa descoberta, minhas cias de
viagem desta vez foram minha prima e minha mãe e nosso primeiro destino foi El
Calafate, patagônia andina, província de Santa Cruz, uma pequena mas muito
turística cidade de aproximadamente 20.000 habitantes.
É engraçado como mesmo
depois de horas de viagem, e trocas de avião e espera em aeroportos, quando
chegamos em um novo lugar uma onda de empolgação/ansiedade substitui na hora o
cansaço, como se fosse uma dose extra de carga na bateria do celular que dá
aquele “up” providencial.
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| Primeira parada: El Calafate. |
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| Aeroporto no meio do nada, onde estava a cidade? |
E a primeira impressão: fica no meio do nada! O aeroporto está afastado
alguns quilômetros do centro da cidade, aproximadamente uns 40 minutos, sendo
cercado por deserto, nada mesmo (deu até um medo), mas apesar de pequeno é
muito arrumado e tem uma vista de arrasar para o Lago Argentino.
A cidade em si
é de fato pequena mas mega turística com diversas lojas, cafés, resto-bars,
restaurantes de parrilas e agências de turismo, ficando lotada de gente de todo
canto do mundo desde jovens mochileiros até famílias com crianças especialmente
nesta época do ano (verão) que constitui a alta temporada e quando o acesso aos
parques fica mais fácil.
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| Jantar da primeira noite: empanadas argentinas. |
No primeiro dia descobrimos que o sol se põe às 22 horas e fomos dormir
praticamente antes do sol. Mas não antes de jantarmos empanadas típicas da
Argentina que eu acompanhei com um chopp artesanal da casa só para brindarmos
nossa chegada......e com os olhos quase fechando voltamos para a pousada e em
fim o repouso merecido.
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| Vista para o pátio interno da nossa pousada, nada muito sofisticado mas confortável e bem localizado. |
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| Café da manhã simples e saboroso com medialunas à vontade... hummmmm. |
E por falar na pousada, optamos por nos hospedar em
uma bem no centro da cidade pois na minha opinião quando se fala em hospedagem
localização é 50% do negócio, sendo que os outro 50% somam conforto, beleza,
charme e preço, e localização não é apenas estar perto das atrações mas pode
ser estar próximo de um bom meio de transporte que te leva rapidinho para todos
os lados.
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| Museo del Hielo Patagónico - Glaciarium. |
No primeiro dia completo para conhecer a cidade fomos
para o Glaciarium que fica um pouco afastado da cidade mas tem um transfer do
próprio museu que leva e traz de graça partindo do centro da cidade. Foi uma
aula de história, glaciologia, e geologia e veio muito a calhar antes da visita
principal que fizemos no dia seguinte ao glaciar. Através de maquetes, vídeos,
fotos e diversos métodos interativos o museu nos apresenta a história do
planeta, toda evolução dos glaciares e também um pouco da história da descoberta,
desbravamento e pesquisas que foram e ainda são realizadas sobre as formações
de gelo em todo planeta. Em resumo, para mim, que gosto de fuçar o porquê das
coisas foi uma experiência muito proveitosa e prazerosa, recomendado para quem
quer ir um pouco além da beleza visual dos glaciares.
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| Glaciobar no subsolo do Glaciarium. |
No subsolo do Glaciarium funciona o Glaciobar Branca,
um bar todo feito com gelo onde os copos, mesas e esculturas são inteiramente
fabricados com gelo retirado dos glaciares. Confesso que é divertido mas é um
perfeito “programa de turista” (ou de índio hehehe), basicamente eles fecham um
bando de turistas em um frigorifico cheio de gelo e bebidas de graça por vinte
minutos. Se eu estivesse com uma turma maior de amigos e só tivessem pessoas
mais animadas entre esse bando de turistas talvez até fosse mais divertido
(apesar do frio que em determinado momento começa a incomodar muito). Bem,
valeu a experiência, mas é um custo x benefício relativamente alto para passar
um frio artificial e beber uns copinhos.
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| Borges y Alvarez Libro-bar, na rua mais movimentada em pleno centrinho de El Calafate. |
Naquela noite, nossa segunda noite “ensolarada”,
jantamos no Librobar, um bar/restaurante muito fofo quase totalmente revestido
de livros em suas paredes altas e que serve desde cafés até cervejas artesanais
da Patagônia. Eu descobri o lugar através de um blog e de cara fiquei com
vontade de conhecer, na cidade é fácil de encontrar fica na rua principal onde
tudo agito acontece. Eu que já estava de olho nas cervejas bebi duas e jantei
uma tortilla espanhola, se com mais parcerias estivesse mais cervejas beberia,
lugar recomendado!
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| Ambiente aconchegante para curtir tapas e cervejas artesanais. |
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| Segundo dia fomos visitar o famoso Glaciar Perito Moreno. |
No terceiro dia finalmente “The” Perito Moreno! E não
têm fotos ou palavras que possam minimamente traduzir o que é estar frente a
frente com este glaciar, ele é realmente muito lindo e imponente, não é o
maior, mas com certeza o mais bonito. Ao mesmo tempo em que nos deixa de queixo
caído também assusta, é enorme, parecendo até infinito. Só fiquei um pouco
triste por não conseguir fazer a caminhada sobre o glaciar, mas ficou (espero
com muita vontade mesmo!) para uma próxima visita.
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| Não tem muito o que falar pois a beleza e imensidão nos deixam sem palavras. |
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| Tem que ver pessoalmente para crer e sentir o infinito. Lindo! |
Ainda nesse dia jantamos no restaurante “Campo grande”
que foi uma indicação da Gaby, uma amiga argentina, e de fato foi uma excelente
sugestão. Pedimos um cordeiro que o garçom nos serviu “cortando” com uma
colher, sim, a peça praticamente desmanchava e estava delicioso, com temperos e
apresentação impecáveis. O jantar como um todo foi divertidíssimo, também por
causa do Chef que ia nas mesas e oferecia diferentes entradas e nos orientava
com novos (e esquisitos) modos de comer alguns pratos, como por exemplo a
sobremesa de chocolate (uma espécie de torta) que nos ofereceu para saborear
uma colherada com sal e azeite de oliva, e ficou muito bom! Uma das iguarias
diferentes foi um pedaço de algum tipo de carne grelhada que o Chef levou para
provarmos na mesa mas ele não queria nos dizer que parte do cordeiro tinha
vindo a peça, estava uma delícia e na verdade ainda não sei direito o que
era...estômago/intestino/tetas de cordeiro (really?), mas com certeza não eram
testículos (I guess...kkkkk). O vinho estava riquíssimo e no final o garçom nos
serviu mais uma taça de uma outra garrafa para provarmos. Foi um jantar chique
e descontraído ao mesmo tempo, perfeito para a última noite em El Calafate.
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| Jantar de despedida: Silla de Cordero. |
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| E para finalizar, sobremesas divinas para despedida de El Calafate em grande estilo. |
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| Depois de conhecer o Perito Moreno, jantar um cordeiro com vinho (e outros misteriosos aperitivos) e darmos muitas risadas o cansaço bateu. |
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| Sorvete de dulce de leche com pedaços de chocolate.... El Calafate já deixou saudades. |
No final partimos de El Calafate com vontade de
voltar, a cidade nos acolheu muito bem e no último dia, antes de irmos para o
aeroporto, deu até para bater uma perna e fazer umas comprinhas básicas. Para
minha imaginação ficou a ideia de como deve ser a cidade no inverno, com um
pouco de neve talvez e com certeza mais frio, mas é uma nova possibilidade e
ponto de vista para uma mesma cidade.
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| Bye bye El Calafate.....e próxima parada: Ushuaia. |
Next stop, fim do mundo!


















