27 de março de 2014

EL CALAFATE - PATAGÔNIA ARGENTINA PARTE 1



Começar o ano com uma bela viagem é sonho realizado para aqueles que (como eu) amam esse modo de vida, tudo bem que não suporto arrumar a mala, mas depois de pronta e trancada começa a bater um friozinho na barriga inconfundível e não vejo a hora de pular dentro do avião/trem/ônibus/barco/carro...

Mesmo viajando dentro do Mercosul, 
mais um carimbo para o passaporte é sempre bem-vindo.

E que tal começar com uma viagem para o extremo sul do mundo? Patagônia Argentina, para quem não conhecia nadinha do país dos nossos “hermanos” acredito que comecei em grande estilo, pois obviamente não irei parar, a Argentina tem muitos lugares incríveis para desbravarmos.

Mas não fui sozinha nessa descoberta, minhas cias de viagem desta vez foram minha prima e minha mãe e nosso primeiro destino foi El Calafate, patagônia andina, província de Santa Cruz, uma pequena mas muito turística cidade de aproximadamente 20.000 habitantes. 

É engraçado como mesmo depois de horas de viagem, e trocas de avião e espera em aeroportos, quando chegamos em um novo lugar uma onda de empolgação/ansiedade substitui na hora o cansaço, como se fosse uma dose extra de carga na bateria do celular que dá aquele “up” providencial.


Primeira parada: El Calafate.

Aeroporto no meio do nada, onde estava a cidade?

E a primeira impressão: fica no meio do nada! O aeroporto está afastado alguns quilômetros do centro da cidade, aproximadamente uns 40 minutos, sendo cercado por deserto, nada mesmo (deu até um medo), mas apesar de pequeno é muito arrumado e tem uma vista de arrasar para o Lago Argentino. 

A cidade em si é de fato pequena mas mega turística com diversas lojas, cafés, resto-bars, restaurantes de parrilas e agências de turismo, ficando lotada de gente de todo canto do mundo desde jovens mochileiros até famílias com crianças especialmente nesta época do ano (verão) que constitui a alta temporada e quando o acesso aos parques fica mais fácil.




Jantar da primeira noite: 
empanadas argentinas.
No primeiro dia descobrimos que o sol se põe às 22 horas e fomos dormir praticamente antes do sol. Mas não antes de jantarmos empanadas típicas da Argentina que eu acompanhei com um chopp artesanal da casa só para brindarmos nossa chegada......e com os olhos quase fechando voltamos para a pousada e em fim o repouso merecido.


Vista para o pátio interno da nossa pousada, 
nada muito sofisticado mas confortável e bem localizado.
Café da manhã simples e saboroso 
com medialunas à vontade...
hummmmm.

E por falar na pousada, optamos por nos hospedar em uma bem no centro da cidade pois na minha opinião quando se fala em hospedagem localização é 50% do negócio, sendo que os outro 50% somam conforto, beleza, charme e preço, e localização não é apenas estar perto das atrações mas pode ser estar próximo de um bom meio de transporte que te leva rapidinho para todos os lados. 


Museo del Hielo Patagónico - Glaciarium.
No primeiro dia completo para conhecer a cidade fomos para o Glaciarium que fica um pouco afastado da cidade mas tem um transfer do próprio museu que leva e traz de graça partindo do centro da cidade. Foi uma aula de história, glaciologia, e geologia e veio muito a calhar antes da visita principal que fizemos no dia seguinte ao glaciar. Através de maquetes, vídeos, fotos e diversos métodos interativos o museu nos apresenta a história do planeta, toda evolução dos glaciares e também um pouco da história da descoberta, desbravamento e pesquisas que foram e ainda são realizadas sobre as formações de gelo em todo planeta. Em resumo, para mim, que gosto de fuçar o porquê das coisas foi uma experiência muito proveitosa e prazerosa, recomendado para quem quer ir um pouco além da beleza visual dos glaciares.




Glaciobar no subsolo do Glaciarium.



No subsolo do Glaciarium funciona o Glaciobar Branca, um bar todo feito com gelo onde os copos, mesas e esculturas são inteiramente fabricados com gelo retirado dos glaciares. Confesso que é divertido mas é um perfeito “programa de turista” (ou de índio hehehe), basicamente eles fecham um bando de turistas em um frigorifico cheio de gelo e bebidas de graça por vinte minutos. Se eu estivesse com uma turma maior de amigos e só tivessem pessoas mais animadas entre esse bando de turistas talvez até fosse mais divertido (apesar do frio que em determinado momento começa a incomodar muito). Bem, valeu a experiência, mas é um custo x benefício relativamente alto para passar um frio artificial e beber uns copinhos.





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Borges y Alvarez Libro-bar, na rua mais movimentada 
em pleno centrinho de El Calafate.
Naquela noite, nossa segunda noite “ensolarada”, jantamos no Librobar, um bar/restaurante muito fofo quase totalmente revestido de livros em suas paredes altas e que serve desde cafés até cervejas artesanais da Patagônia. Eu descobri o lugar através de um blog e de cara fiquei com vontade de conhecer, na cidade é fácil de encontrar fica na rua principal onde tudo agito acontece. Eu que já estava de olho nas cervejas bebi duas e jantei uma tortilla espanhola, se com mais parcerias estivesse mais cervejas beberia, lugar recomendado!


Ambiente aconchegante para curtir tapas 
e cervejas artesanais.









Segundo dia fomos visitar 
o famoso Glaciar Perito Moreno. 






No terceiro dia finalmente “The” Perito Moreno! E não têm fotos ou palavras que possam minimamente traduzir o que é estar frente a frente com este glaciar, ele é realmente muito lindo e imponente, não é o maior, mas com certeza o mais bonito. Ao mesmo tempo em que nos deixa de queixo caído também assusta, é enorme, parecendo até infinito. Só fiquei um pouco triste por não conseguir fazer a caminhada sobre o glaciar, mas ficou (espero com muita vontade mesmo!) para uma próxima visita.


Não tem muito o que falar pois a beleza e imensidão nos deixam sem palavras.


Tem que ver pessoalmente para crer e sentir o infinito. 
Lindo!
Ainda nesse dia jantamos no restaurante “Campo grande” que foi uma indicação da Gaby, uma amiga argentina, e de fato foi uma excelente sugestão. Pedimos um cordeiro que o garçom nos serviu “cortando” com uma colher, sim, a peça praticamente desmanchava e estava delicioso, com temperos e apresentação impecáveis. O jantar como um todo foi divertidíssimo, também por causa do Chef que ia nas mesas e oferecia diferentes entradas e nos orientava com novos (e esquisitos) modos de comer alguns pratos, como por exemplo a sobremesa de chocolate (uma espécie de torta) que nos ofereceu para saborear uma colherada com sal e azeite de oliva, e ficou muito bom! Uma das iguarias diferentes foi um pedaço de algum tipo de carne grelhada que o Chef levou para provarmos na mesa mas ele não queria nos dizer que parte do cordeiro tinha vindo a peça, estava uma delícia e na verdade ainda não sei direito o que era...estômago/intestino/tetas de cordeiro (really?), mas com certeza não eram testículos (I guess...kkkkk). O vinho estava riquíssimo e no final o garçom nos serviu mais uma taça de uma outra garrafa para provarmos. Foi um jantar chique e descontraído ao mesmo tempo, perfeito para a última noite em El Calafate. 


Jantar de despedida: Silla de Cordero.


E para finalizar, sobremesas divinas 
para despedida de El Calafate 
em grande estilo. 
Depois de conhecer o Perito Moreno, jantar um cordeiro com vinho (e outros misteriosos aperitivos) e darmos muitas risadas o cansaço bateu.

Sorvete de dulce de leche com pedaços de chocolate.... 
El Calafate já deixou saudades.

No final partimos de El Calafate com vontade de voltar, a cidade nos acolheu muito bem e no último dia, antes de irmos para o aeroporto, deu até para bater uma perna e fazer umas comprinhas básicas. Para minha imaginação ficou a ideia de como deve ser a cidade no inverno, com um pouco de neve talvez e com certeza mais frio, mas é uma nova possibilidade e ponto de vista para uma mesma cidade.


Bye bye El Calafate.....e próxima parada: Ushuaia.

Next stop, fim do mundo!