A GAROTA DAS
NOVE PERUCAS
de Sophie van der Stap
Capa do
livro lançado no Brasil pela Editora Virgiliae
A primeira vez que soube da existência desse livro foi, na verdade, sabendo da existência do filme. Enquanto navegava aleatoriamente pela internet, acabei me deparando com o trailer do filme alemão “Heute bin ich blond” (Hoje eu sou loira, em livre tradução) e achei divertidíssimo, mesmo se tratando da história de uma garota com diagnóstico de câncer. Minha curiosidade apenas aumentou quando descobri que não só era a adaptação de um livro, como este também narrava uma história verídica e autobiográfica. Uau! Eu, que quase não gosto de ler, decidi na mesma hora que precisava achar esse livro. Na mesma semana, durante uma viagem me deparei com ele em destaque na livraria apenas me esperando, lindo! Em pouco mais de uma hora de vôo, voltando para casa, consegui devorar metade do livro.
Trailler do filme:
A história realmente me prendeu, e surpreendeu, pois não é o diário de uma garota com câncer, mas sim o de uma jovem adulta que está passando pelo maior drama de sua vida: a doença e seu terrível tratamento. Mas, ao mesmo tempo também está vivendo, se apaixonando, tendo seu coração partido, se apaixonando de novo, saindo com as amigas, fazendo sexo, decidindo o que fazer na faculdade.
E as perucas? Sim, existem e são as coadjuvantes da história, Sophie (a nossa garota das nove perucas) começa a perder seus lindos cabelos por conta da quimioterapia e, com certa desconfiança, inicia sua busca por perucas. O que parecia uma tarefa melancólica acaba por se tornar um passatempo divertido, onde cada peruca adquirida por Sophie significava uma nova personagem. Cada “novo cabelo” revelava uma nova faceta da própria Sophie que nem ela mesma sabia que existia, e foi esse exercício de autoconhecimento (através das perucas e da descoberta do câncer) o que mais se destacou no livro para mim.
Essas são Sophie e suas nove perucas: Daisy, Stella, Bebé, Lydia, Uma, Pam, Platina, Blondie e Sue.
Todas nós somos a soma de experiências vividas ao longo dos anos, nem sempre boas e talvez na maioria das vezes ruins. Essas experiências nos moldam e, de certa forma, modificam nossa personalidade, hora para melhor, hora para pior. Não se trata de múltiplas personalidades, ou de viver mudando de opinião. A personalidade de uma mulher é muito mais profunda e cheia de nuances do que nossos belos rostos e corpos podem deixar transparecer. Não é fácil nem para nós mesmas nos conhecermos. Isso leva tempo e maturidade. Agora imagine uma garota de 21 anos com diagnóstico de câncer?
O divertido desse livro é justamente essa autodescoberta da Sophie (e que pode ser a autodescoberta de cada uma de nós) que só acontece com um pouco de ousadia, experimentação e sofrimento, mas que transforma e fortalece nossa protagonista. Aquela manjada analogia da lagarta se transmutando em borboleta que todo mundo está careca (ops) de conhecer, mas que tem seu fundinho de verdade.
O ano está acabando, e por que não mudar? Tentar algo diferente? Experimentar uma nova peruca?



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